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quarta-feira, 30 de março de 2011

Infância em Extinção: Futuro grita por Socorro.


O maior cenário de mudanças e de como elas acontecem está a nossa volta em absolutamente todos os instantes, pelo menos para os mais atentos. Basta olhar para uma pessoa qualquer na rua, até mesmo dentro de nossas famílias. Temos que concordar que somos seres insignificantes perto do grandioso universo, porém, mudamos constantemente e as mais insignificantes mudanças são consideradas universalmente relevantes. Isso não seria de fato um fardo, porém, a forma como as pessoas tem mudado por muito vem me intrigando.
Meses atrás, antes de finalmente me convencer da necessidade incontestável de estudar para a minha última prova de genética (da minha vida!), resolvi extravasar todo o meu saco cheio dos livros e da correria diária fazendo algo que não tivesse relação alguma com a medicina, com os livros, com professores. Enfim, fui comer hambúrguer e batatas fritas, enquanto proseava com alguns amigos “atoas como eu”. Não é que dá certo?! Contudo, mais do que falar sobre o alívio oriundo do meu carpe diem, me senti movido, tocado, instigado (mesmo relutando) ha compartilhar um pouco sobre algo que tem mudado muito nas novas gerações. É mais uma reflexão um tanto simplória, mas que sentado ali, enquanto ouvia e compartilhava histórias tão bacanas julguei importante por seus desfechos.

Refiro-me a nossa aurora, nosso tempo de inocência, nossa eterna fase game ou doll. Lá, problemas não havia, os medos não eram fruto do real, a desgraça era sempre tão lendária e pequenos feitos nos tornavam grandes heróis.  Sentados ali, comendo tudo que qualquer pessoa que zela pela saúde jamais comeria, surgiu o tal assunto que acabaria se tornando uma grande polêmica dentro da minha cabeça: Por que eu jogava videogame e brincava na rua, ao passo que as crianças de hoje insistem em crescer antes do tempo previsto? Isso de certa forma acaba com um legado de instrução e formação de caráter e move a alienação contra o gradiente. Quem disse que “virar” adulto é legal? (viva Peter Pan!).
Recordo-me como fosse hoje da minha casa na árvore, meus muitos machucados (marcas da ousadia infantil), meu choro sincero quando minha cadela, a Pretinha, morreu minutos depois de repousar a cabeça sobre o meu colo pela última vez... Ah! Isso me faz lembrar a outra Pretinha, de quem fiz o parto normal, uma experiência inesquecível para um garoto de dez anos (exceto pelo fato de que, nos dias atuais, existam inúmeros casos de crianças com essa ou com pouco mais idade que deram a luz). “Oh! Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais!”
Quem da nossa geração nunca jogou Super Mario, brincou de pau na lata, pique bandeira, esconde-esconde, pique alto, tomou banho de chuva, de mangueira?... Boas notas eram freqüentes, a professora (mesmo ganhando pouco) era como um verdadeiro membro da família, quiçá uma Tia. Sim, uma tia! Chamava-se Rosália, tia Rosália, aquela que sempre me fornecia exercícios da segunda série, mesmo sendo eu um aluno do primário. Quem me emprestava um livro semanal, do qual eu lia um trecho para minha mãe sempre antes de dormir. “Oh! Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais!” (again).
Desculpem caros leitores, sentir saudades da infância não quer necessariamente dizer que menosprezamos tudo o que construímos e aprendemos até aqui. De fato, algumas responsabilidades nos tornam meio vulneráveis a essas recordações, contudo, não seria este o caso. Falar de infância neste contexto é mais bem interpretado como sendo um grito de socorro pelas novas gerações. Tudo bem que os tempos mudam, ainda assim há de existir em nós um pesar por essa mudança tão irracional, tão sistematizada e infiel a tudo o que deveria ser prezado. (isso já passou a tempos de uma adaptação, é uma inquisição, uma alienação total).
Vamos aos exemplos: quem precisa ler um livro pra mãe, sair pra caminhar com o pai, implicar (de forma saudável) com o irmão ou irmã, sentar pra ouvir histórias dos avós e outros parentes mais velhos ainda que seja simplesmente pra fazê-los se sentir bem? Quem precisa disso? Enfim, quem precisa da família chata e tradicional quando se faz parte da “Família Restart”? Afinal, ser ridículo está na moda (“É o Pelanza, meu!” ¬¬). Sobre a moda?! Já não é mais ter os tazos mais raros, um patins in-line ou a bola de futebol com o desenho do Pelé, há muito a modinha é outra...
_Mãe, isso é coisa do passado, cai na real!
_Pai, deixa de ser careta, todo mundo já fez isso!
Todo mundo já fez isso, todo mundo já fez aquilo, e todo mundo vai ficando num patamar de mediocridade cada vez mais aproximado. Meus avós diriam: “_Se todo mundo pulasse da ponte, você pularia também?” (Quem dera! Brincadeira). “Riem de mim porque sou diferente. Choro porque são todos iguais”. Frase genial de um grande gênio, esta se aplica a inúmeros enredos e vai se aplicar sempre.
Isentos aqueles que são forçados por seus contextos sociais, mas que, ainda assim tem o livre arbítrio ha muito pré-estabelecido, clamo por uma infância que desenvolva nesta geração sensibilidade, senso crítico, independência de caráter, liberdade de escolha, mas acima de tudo amor ao próximo. Se cada um visse no outro sua imagem no espelho, acredito que este aglomerado de pessoas enfileiradas, seguindo para o mesmo destino trágico finalmente poderia ser chamado humanidade.
Às várias famílias e facções, aos membros da família restart, aos emos, aos abas retas, aos funkeiros do ônibus, aos que estão pensando em se drogar porque os amigos badalados se drogam, às garotas que vomitam e se deprimem porque as magras são “as melhores”, aos colecionadores de saliva das micaretas, às crianças que vivem no meio dessa M#%$@ toda... O buling faz de você um ser melhor (???). Brincadeiras à parte, vocês têm uma escolha, muito mais ampla do que a sociedade insiste em lhes impor, essa escolha chama-se IDENTIDADE e lhes acompanhará pelo resto de suas vidas. Então valorizem isso, valorizem o que vai durar para sempre, afinal, “tudo o que não é eterno é eternamente inútil” (CS Lewis).
“Valorizar cada momento de nossas vidas como sendo único, aproveitar cada fase com o que julgamos bom, com o que nos trará aprendizado de fato, com o que nos tornará seres humanos...”         
 É isso aí!
Pronto, falei!              

4 comentários:

Lary disse...

Alê!!
Adorei seu texto, você escreve muito bem, mesmo sendo um post grande prendeu minha atenção!
E você não me chamou p/ comer hamburguer!!ham!

Escreve mais que lerei os próximos!

beijos

Alexandre Ferreira Filho disse...

Lárys, era véspera daquela nossa prova de genética. Todos estavam estudando, apenas eu vagabundando rsrsrsrs... Mas quando você estiver de saco cheio e quiser fugir dos livros eu recomendo e te acompanho, kkkk. Quem sabe não surge meu novo post?!?!

Beijo

PS.: Vira seguidora aí e dá uma moralzinha pra gente né?!?! ^^

Thaís Rocha disse...

Alê... mto legal! =D q orgulho! rsrs #prontofalei rs

Alexandre Filho disse...

Somos noses, Thai
uahauhauhauha